segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Poesia de Saron

Desde a primeira vez que ouvi sempre fui muito admiradora do novo CD da banda católica Rosa de Saron, e neste post, em especial, da canção 'Velhos Outonos'. Por se tratar de pura e real poesia, o texto ainda permanece com um caráter reflexivo e digno das músicas boas que admiro. Vale à pena ouvir e ler.

**
Os dias passam, passam as horas
Tocando temas com um piano desafinado
Mais ou menos errado, mais ou menos parado
Sem sentido, um pouco ignorado

Gritos ecoam, selam memórias, marcam
Deus ainda chora, sempre rimos e o mundo esquece
O tempo da última prece
E ninguém aquece, ninguém acontece

Você sente na pele
Os dias estão frios, as noites estão quentes
Caminham num labirinto de vento
Vestindo pouco a pouco o esquecimento

Somos o que fazemos para mudar o que fomos
Mas se nada somos, virão apenas velhos outonos

Uma lágrima no chão reagiu minha lentidão
Tocou meu coração, fiz o que precisava

Ele chorava e eu perguntava
É comida? É uma casa?
Mal a noite caía, ele dizia

"Se quiser fazer algo por mim
Faça um verso sereno
E que ele me leve
Não somente ate o céu, mas perto das estrelas"

Somos o que fazemos para mudar o que fomos

Trecho de 'Velhos Outonos' por Guilherme de Sá

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Às vezes não sabe

Passando pelos vídeos do Youtube, me chamou a atenção a letra da canção "O amor não sabe esperar" entoada por Marisa Monte e o Paralamas.

Na mesma hora estava planejando um novo post para o blog e aí me veio a idéia de postar a letra. A identificação, talvez ainda oculta para alguns, ficou clara ao meu coração que às vezes não sabe esperar e ainda não sei por quê.

***

Sopra leve o vento leste
E encrespa o mar
Eu ainda te espero chegar
Vem a noite
Cai seu manto escuro devagar
Eu ainda te espero chegar
Não telefone, não mande carta
Não mande alguém me avisar
Não vá pra longe, não me desaponte
O amor não sabe esperar
Ficar só é a própria escravidão
Ver você é ver na escuridão
E quando o sol sair
Pode te trazer pra mim
Abro a porta, enfeito a casa
Deixo a luz entrar
Eu ainda te espero chegar
Escrevo versos
Rosas e incenso para perfumar
Eu ainda te espero chegar
Estar só é a própria escravidão
Ver você é ver na escuridão
E quando o sol sair
Tudo vai brilhar pra mim


http://www.youtube.com/watch?v=jO9k19tGOPU&feature=related

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Verdades

"Todos nós temos algo que nos inspira
Pelo menos nós inspiramos um ao outro
Se eu me transformar em outro, cave e me resgate daquilo que está cobrindo a melhor parte de mim
Cantando essa canção, lembre-me de que nós sempre teremos um ao outro quando todo o resto tiver acabado"
[Trecho de 'Dig' - Incubus]
***

Jamais pensei no recomeço do fim. Na verdade, das vezes que era questionada sobre a possibilidade de tudo voltar a ser como era, preferia esquecer e me dedicar às verdades concretas. Do fim, o recomeço, a nova chance para que tudo brilhe e intensifique a vontade oculta de viver e esbravejar o melhor dos sentimentos.

A partir daquele momento o sorriso disse o Sim que os lábios não se propuseram a pronunciar. O olhar tornou-se vivo, por meio do brilho que se via. A mente confusa trazia à tona o medo. O coração porém não podia se conter diante do presente que Deus reservara.

O sonho de dias melhores, as dores, os sofrimentos não mais arrancavam as linhas que desejara escrever. Sem mais se via inspirada a convencer o mundo a crer nas verdades que preenchiam sua essência. E nesta se completavam, um ao outro, mesmo que todo o resto estivesse por acabar.

Tinha o sorriso, tinha fé, tinha de volta a inspiração necessária para que a vida possuisse as formas angelicais de seus olhos singelos e doces. Nestes descorriam as verdades mais ocultas do coração puro e da mente confusa que a conquistara.

A parte estava viva, por tudo o que desejara e jamais imaginara. Via o recomeço no fim que desejou fazer parte da canção que traduziam de fato os mistérios de seus dias mais amenos.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Começo, meio e fim.

Sem vontade de escrever olhava para as mãos sem pressa de deslizar os dedos sobre o teclado velho do trabalho. Parava a cada minuto sem inspiração e analisava as unhas que fizera. Perdeu certo tempo refletindo sobre o que escreveria e apagando as muitas linhas que não a deixavam satisfeita. Tinha a eterna mania de querer que tudo estivesse correto. Queria corrigir tudo, inclusive a vida. No decorrer dos pensamentos que se transformavam em palavras de maneira veloz e despercebida, a vida corria para rumos desconhecidos em que não se acostumara.
Inquieta ainda parava para observar a sala grande e arejada do trabalho sobre o olhar atento dos colegas entretidos no que faziam. Às vezes se contentava em alguma conversa com um deles ou abria um largo sorriso quando algo lhe parecia engraçado. Por dentro não desejava aquilo. Naquele ambiente que circulavam muitas pessoas às vezes se sentia sozinha. Ninguém ali a podia compreender em sua essência. Tudo parecia superficial e a encomodava por completo.
Sentia falta dos amigos. Em alguns momentos via-se pensando no final de semana repleto de alegrias que teve a oportunidade de viver. Celebrou a união de dois seres que amava, recebeu o sorriso que esperou durante 15 meses, respirou aliviada, dançou intensamente, fez piada, riu da vida, ganhou uma rosa e dormiu por cansaço. Procurava não pensar nas tristezas que teve nesse meio termo. Não queria escrever sobre elas e sim guardá-las junto aos outros momentos no baú que prometeu à quem foi razão de tudo.
Esperava ser surpreendida e não se via errada ao pensar que tinha o direito de sê-lo. Anciosa olhava para os sapatos limpos e para o papel e a caneta abandonados sobre a mesa. Por alguns instantes perdia o olhar sobre aquilo que parecia tão passageiro e injusto. Buscava receber ligações de quem a fazia sorrir e tinha vontade de gritar por ser impedida de viver o que planejara para a noite de segunda-feira. Necessitava correr, sumir, viver.
Parecia que nada estava tão bom quanto ela realmente gostaria, mas se conformava com o que tinha. Buscava não questionar e lutar sempre por razões que poderiam superar as dores. Naquela manhã bocejara muitas vezes em razão do sono que trocara pela conversa até de madrugada com o primo-irmão. Juntava os dedos para refletir melhor sobre as palavras que escolhia com cuidado para expressar livremente. Gostava disso. Se sentia melhor quando escrevia e demonstrava, de algum modo, a rotina que preenchia seus dias de instantes comuns. Pensava no mistério, no que lhe era prometido por Deus. Nas palavras não via fim, mas quando percebeu que já era hora, foi colocando vírgulas, diminuindo rítmo e demarcando a história com um legítimo ponto final.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Em que acreditar

Simplesmente me apaixonei pelas belas palavras abaixo. Sobre as verdades que ainda busco encontrar percebo em meio a pura poesia, os detalhes que Deus necessita de minha compreensão divina. Estranho aceitar o conflito repentinamente proposto pelo coração e pela mente já cansados de tudo. Quando já desistia de acreditar, ainda vejo uma luz ao fim dos sonhos esquecidos.
...

"É estranho e difícil te dizer que está tudo bem
Se há alguma coisa então venha entender
O quanto só você pode dar um simples passo de cada vez!
O sol da meia-noite aqui existe
Você pense, pare e veja que o amor resiste.
Olhe, prova, sente, toca

É Deus que te faz entender toda poesia
Que torna mais valiosa a vida e prova
que ainda dá pra ser feliz.
Apenas atenda quem chama!


E perceba que só Ele pode compreender o seu interior,
E as suas dores afastar, o seu sonho realizar,
a sua vida transformar.
Basta que você entenda.

Que é Deus que te faz entender toda poesia
E torna mais valiosa a vida e prova que ainda dá pra ser feliz
Apenas atenda quem chama.
E peça que nessa noite Ele te toque,
Cure todas as suas feridas e vele o sono
E espere acordar.
Amanhã será um novo dia."


Trecho de 'O Sol Da Meia-noite' - Rosa de Saron

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Ser simples

Intrigante, preciso, incerto, incoerente. Realidade desconcertante, inevitável. Difícil entender quando a cabeça e o coração expressam verdades distintas aos olhos. A falta de certeza e a confusão das idéias claras que tinha a desconcertavam por inteira.

Das palpitações, sorrisos e lembranças de tudo que analisara com seu olhar de mistério puro, possuia lembranças que a faziam refletir sobre o que a faz bem, ou no bem que descobriu essencial. Pensamentos e emoções já não apresentavam plena distinção. Se via, mas não se descobria.

Procurava não pensar e sem perceber já se via mergulhada na incerteza que a consumia. Sobre o que não compreendia buscava explicações divinas. Entregara tudo a quem poderia responder a ela os motivos que a faziam sorrir diante da simplicidade que se via.

Aos olhos nada e tudo, somente o essencial. Pelo simples e pelo belo continuava por optar pelo que de fato fosse verdadeiro e a fizesse repousar tranquila. E permaneceu no mistério de seus dias, que a faziam bem e preferia que não houvesse fim.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

'Para todo o mal, a cura'

A vida nunca esteve tão corrida quanto o que vivera nas últimas semanas. A casa nunca permanecera tão cheia nos finais de semana que a fazem sorrir. Sobre as alegrias que não passam, ela as tinha vivido, e no coração já palpitava a intensidade de novas emoções.

Com carinho se lembra do dia em que abriu um sorriso largo depois de toda a tristeza que passou por seu caminho. Sem entender muito bem, pôde comprovar que estava melhor. Tão bom o sentimento de estar feliz sem motivo, de sem querer se pegar sorrindo, quando o por quê ainda não descobriu.

Sentiu o amadurecimento de tudo que viveu na prática de seus dias, que por alguns instantes, deixaram de ser corriqueiros e medíocres. Podia sorrir e receber sorrisos gratuitos e não se preocupar com as dores do coração cansado e persistente. Recebera com amor a missão mais uma vez, e se entregara para o que seu Bem verdadeiro reservou para aquela pobre mortal. Ela já estava nas mãos D' Ele.

Descobriu que viver vale muito à pena e que de fato, tudo passa e permanece por passar. Anciosa ainda espera passar por tudo, por completo. No lugar onde as dores deram lugar aos sorrisos, ela escondeu a pressa. Antes de tudo necessitava esperar por o que ainda possuia de bom para viver.

A certeza do amor não lhe faz falta quando descobriu que a metade não completa nada. Que o que realmente vale estará com ela, quando mais precisar e assim necessitar permanecer. Quando os sorrisos estiverem por acabar ela retornará e saberá como respirar, tranquila.